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Sacranagem! Desenhos da TV invadem o teatro

4 jul

Atores teatrais não são adolescentes, mas estão revoltados. Depois das modelos e dos ex-participantes de reality shows tomarem muitos de seus lugares em telenovelas, agora, quem diria, são os desenhos animados que estão invadindo o teatro. Desde as Taratrugas Nija, em 1991, com sua montagem de “Vestido de Debutante”, de Nelson Nodrigues, os desenhos animados tem um caso de amor com os palcos.
Só em São Paulo, são trocentos espetáculos em cartaz (se bem que já já a prefeitura arranca) com desenhos animados: Plebéias Trisney On Ice, Hi-4 Cover, Choranguinho e High Norance Míusical On the Rocks. “Ah, mas HNM não é desenho animado!” Ainda, meu filho, ainda…
O ator Bragner Moita (eu já devia imaginar…), em cartaz com a peça Ômelet, afirma que eles estão “predando mercado de trabalho de atores veteranos de teatro, como Sérgio Brittadeira, Marilda Pêssego, Marco Alemão, Ney Latogrosso e Bafinha Rastos, entre diversos outros monstros sagrados do teatro brasileiro!” Falando em monstros, então, perguntamos então sobre os não desenhos, como Jáspion e Chengewoman, de montagens bem anteriores às das Taratrugas Nija, datadas da década de 80. “Foram manifestações artísticas, bem válidas, da cultura japonesa, assim como teatro Yes, o butô, o ofurô, o kawai, o fritz dobbert e o essenfelder”, diz Moura. A conversa foi interrompida por dois rapazes que queriam convencer o ator a fazer merchandising de um gel de cabelos.
Fomos atrás do outro lado. O produtor Roberto Spielbrenner, de Urcinhos Caridosos Live ao Vivo, diz que é salutar essa concorrência (salutar¹ adj. m+f – que é um saco). “Mas nós nos garantimos. Os Urcinhos Caridosos estão aí há mais de 25 anos divertindo empresários, publicitários e formadores de opinião quando estão sozinhos, que eu sei. E outra, as nossas músicas são o maior sucesso, vai procurar no YouKut ou no Ortube!” Já o diretor Roberto Palma, de Choranguinho 2: Lámigras de Cocrodilo, sempre curtiu esses personagens, e foi iniciativa dele levá-los aos palcos. “No começo eles ficaram com um pouco de medo da platéia, mas depois foram se soltando, e hoje estão aí, em ritmo de festa, ôeee!!”
Mas o público deve ficar atento. Em Hi-4 Cover (sendo que, no cartaz, a palavra “Cover” aparece em tamanho menor do que o ™ ), os atores são brasileiros que se parecem com os atores originais da série, que, usuras e mercenários, cobraram uma nota infravermelha para virem ao Brasil. “Sacranagem, meu, eu já tinha pagado as passagem na rodoviária, meu!”, desabafa o diretor, Jorge Luís Inácio. “Mas tudo bem, que já arrumei uns mané pra ficar nos lugar deles, tá ligado? E é igual! Ainda mais se cê tomar uns copo…” As crianças não reclamam, já que os atores vivem jogando saquinhos de eme-emes para a platéia, mantendo-a ocupada.
E em Plebéias Trisney On Ice, o destaque é a patinação no gelo. Quer dizer, depende.  “Não tem patins pra todo mundo, então acontecece um revezamento, mas tudo bem. E na cena final, onde todos aparecem, você pode notar que os plebeus carregam as plebéias nos braços, é só assim”, diz Vasconcela Marinos, representante para a América Latina e Ásia de Valter Trisney Produccones Indústria e Comércio Ltda.. “E o gelo às vezes acaba, entào tem que ser patinação em poças de água mesmo…”  Com imagens de Paulo Recruta Zero, Sônia Brida, de São Paulo, meu, para a Salt Cover.

Curto-Circuito Cultural: As ex-tréias dos cinemas neste phinal de semana

7 jun

Olá, pernaltas, vamos as ex-tréias dos cinemas, teatros e televisães. Em São Paulo, continua com todo o sucesso a peça O Espelho Retrovisor, com Meriva Virabrequim, no Teatro Bibi Fonfom. No Rio, a dica da semana é o teatro de vanguarda, com Ei, você aí, no Aterro do Fluminense. Um teatro sem refletores, nem palco, direto no meio do povo, com o Zezão da Pedraria, ex-empresário falido que agora ataca de ator sem que o SATEDE se de conta disso.
Nos cinemas, a dica de hoje é As Crônicas de Mármia 2 – O Príncipe Jaspion, de um diretor inexpressivo lá que o pessoal só fala que é dos estúdios de Valter Trisney. O filme narra episódios do cotidiano de um mundo onde os animais falam e tem características exageradas e artificiais, parece até os personagens da turma da Rosalyn, bem diferentes do pessoal que habita os zoológicos. Originalmente escrito pelo rei das crônicas, claro, Nelson Nodrigues, que no entanto, só escreveu a parte 1… Enfim, um genuíno caça níqueles, cade a prefeitura que nâo vê isso?! Tanto é que já está prevista a continuação da série com O Levítico de Mármia – A Princesa Changeman.  Com imagens de Mestre Vitalício, Rubén Sevald Ilho para a Salt Cover!